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A ópera O Achamento do Brasil
Nesta ópera podemos observar as partes participadas na Abertura (voz e expressão corporal), no Coro dos Marinheiros (voz), na “berceuse” O Sono do Capitão (voz), na Dança dos Índios (flauta de bisel soprano, flauta de bisel sopranino, percussão), Ária da Jovem Índia (voz) e Dahipôpô (voz e percussão corporal). Tal como nas anteriores, existe nesta obra um respeito óbvio pela capacidade de concentração da criança no que se refere à duração de cada peça bem como da própria ópera. Persiste ainda a coerência de um cuidado extremo ao nível dos critérios de selecção da temática extra-musical. Deste modo, O Achamento do Brasil é também uma ferramenta didáctica útil para o estudo da História de Portugal. Dado que a acção desta ópera se desenvolve no período dos Descobrimentos, ao assistir a O Achamento do Brasil , a criança contacta com informações históricas importantes tais como as tormentas sofridas pelos marinheiros nas viagens de barco, a importância atribuída à religião nas descobertas, a reacção mista de espanto e fascínio das duas culturas - portuguesa e a extra-europeia - nos primeiros contactos, a existência de cronistas nas viagens, entre outras.
Sinopse
Prólogo
Na corte de Lisboa, o rei D. Manuel I dança rodeado de cortesãos. O ambiente de festa é interrompido por um mensageiro que traz uma carta para o rei. D. Manuel começa então a ler a carta que descreve o “achamento” do Brasil.
Acto I
Em terras de Vera Cruz, Pedro Álvares Cabral recebe dois índios a bordo da nau, que ficam admirados com a pompa do capitão português. Sem modéstia, Cabral canta orgulhosamente o feito conseguido pela sua armada. Também orgulhosos, os marinheiros portugueses cantam em coro uma música de louvor à bela terra encontrada. Louvada a terra, os marinheiros começam a transportar uma cruz enorme e afixam-na num monte. Neste momento, surge Frei Henrique que, acompanhado por sete frades, celebra a primeira missa em terras brasileiras. Por respeito à missa, uma jovem índia que se encontrava despida é coberta com um pano, ficando espantada com o comportamento dos portugueses. Os índios são então colocados em fila e cada um recebe uma cruz. Após a missa, Frei Henrique canta o seu papel de evangelizador da fé cristã. Cabral aproxima-se do frade e começam a cantar um dueto em que ficam nítidas as preocupações dos dois: o capitão pensa em água para beber, na segurança do porto e na manutenção do navio; o religioso pensa em converter as almas dos índios. Cansado da atribulação do dia, Cabral acaba por adormecer, enquanto os marinheiros cantam para lhe embalar o sono e também adormecem. Enquanto todos dormem, um dos marinheiros levanta-se furtivamente e foge, sendo acompanhado por outro. Ao se aperceber da fuga, Cabral ordena que tragam os marinheiros fugitivos de volta.
Acto II
Os marinheiros fugitivos são bem recebidos pelos Tupi, com cuja ajuda se disfarçam e com os quais se juntam numa dança à volta de uma fogueira. Ao ver os marinheiros dançar, uma jovem índia apaixona-se por um deles e expressa o seu amor cantando. Em retribuição, o jovem Marinheiro oferece-lhe um pano. Uma índia mais velha pega no braço da jovem e afasta-se do resto dos índios com ela. Enquanto a Jovem Índia afirma que o Marinheiro português é muito bonito, a índia mais velha expressa o seu medo pela relação entre os dois e à distância, Frei Henrique mostra estar contra a relação. A índia mais velha alerta então o resto da tribo para as prováveis más intenções dos portugueses através de uma visão negativa do futuro. No entanto, o amor dos dois acaba por vencer e, no final, marinheiros, religiosos e índios juntam-se numa dança festiva.

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